A campanha de batata nacional, que se iniciou em setembro de 2018 e termina em setembro deste ano, não apresentou grandes oscilações face à campanha de 2017-2018.

Texto: Sofia Monteiro Cardoso

Contudo, tal também significa que os 10% perdidos desde a campanha de 2016-2017 não foram recuperados. No Ribatejo e na Península de Setúbal a tendência é contrária, com um aumento da batata produzida para fins industriais e uma diminuição da batata para fresco.

Segundo a Associação de Batata de Portugal, o Porbatata, a qualidade em geral da batata nova nacional esteve boa e as produtividades das principais regiões de produção também estiveram regulares.

Em relação à batata nova nacional para mercado fresco, esta registou uma procura ajustada à oferta, não causando uma subida dos preços. Registou-se ainda uma procura para exportação, esta proveniente de países que normalmente importam o produto de Israel ou do Egipto, onde não existiu produção para corresponder à procura.

Para explicar o caso é importante compreender que a batata-semente registou uma queda da produção, isto devido às condições de seca sentidas nos países produtores, como a Holanda. Não existindo semente em quantidades suficientes, grandes países produtores mundiais, como Marrocos, Israel e Egipto, não foram capazes de evitar a diminuição das suas áreas plantadas. Consequentemente, tal provocou um menor número de batata para exportar. Esta quebra representou um ponto positivo para as exportações e mercados portugueses, tendo-se aberto uma janela de oportunidade, que foi aproveitada.

Voltando ao caso português, a situação da batata nova para o mercado fresco manteve-se praticamente até ao início de julho, momento em que a procura baixou, muito devido à quebra sazonal do consumo. A batata colhida durante o mês de julho foi enviada para as respetivas estruturas, onde irá ser realizada uma conservação da qualidade. É esperado que o mercado apresente melhorias no mês de setembro. Atualmente, a colheita de batata nova nacional para o mercado fresco está mais ativa nas regiões mais tardias (março a maio), nomeadamente nas Beiras, Minho e Trás-os-Montes.

Relativamente à batata nova nacional para fins industriais, a colheita iniciou-se normalmente em maio e prosseguiu conforme o esperado. A perspetiva é que as colheitas da batata de indústria terminem em setembro de 2019.

Já o panorama europeu não se revela animador. A redução de produtividade europeia regista-se em cerca de 20% e os produtores de batata das diferentes áreas são confrontados com batatas de menor calibre, o que gera um menor número de quilos de batata por hectare.

Ao nível do consumo, até ao início da época sazonal do verão, os consumidores depararam-se com uma subida de preços, isto devido aos stocks diminutos, consequentes da quebra geral de produtividade. Não só os consumidores enfrentaram problemas, mas também os fornecedores das fábricas europeias tiveram que procurar e adquirir lotes de batata no mercado fresco, caso contrário não iriam conseguir cumprir com as obrigações contratuais.