O Secretário Regional da Agricultura e Florestas anunciou ontem, no Pico, que as candidaturas ao regime de apoio à reestruturação e à reconversão das vinhas (VITIS) abrem em outubro para dar continuidade ao trabalho de crescimento de um setor tão emblemático e importante para a preservação ambiental, a manutenção da paisagem, o desenvolvimento económico e a criação de emprego e de riqueza.

“O Governo Regional está em condições de anunciar que no próximo mês de outubro será lançado um novo aviso do VITIS, com uma dotação de quatro milhões de euros, o que permitirá reconverter mais cerca de 150 hectares de vinha”, revelou João Ponte, acrescentando que se trata de uma oportunidade para os produtores reconverterem as suas vinhas e apostarem em castas aptas à produção de vinho certificado.

João Ponte acompanhou a vindima de um produtor picaroto com 6,7 hectares de vinha e esteve depois presente na receção das uvas na Cooperativa Vitivinícola, tendo reunido, posteriormente, com a direção da instituição. Até ao momento, o VITIS já permitiu reconverter 800 hectares de vinha nos Açores, através de um investimento global de 21 milhões de euros.

O Secretário Regional reconheceu que, apesar do ano ter sido aparentemente favorável à produção de uva, a chuva persistente registada neste mês de agosto originou prejuízos na produção. “As vindimas começaram agora, pelo que é preciso aguardar até ao final para avaliar os reais prejuízos verificados este ano”, afirmou João Ponte.

O titular da pasta da Agricultura frisou que o Governo Regional tem vindo a apoiar o setor, recordando que no programa POSEI deste ano houve um reforço de verbas regionais superior a 350 mil euros aos 500 mil euros previstos na ajuda à manutenção da vinha orientada para a produção de vinhos com denominação de origem (DO) e vinhos com indicação geográfica (IG), acabando por serem pagos 1,1 milhões de euros aos produtores.

“Para responder ao crescimento verificado neste setor, a proposta do programa POSEI para 2020, já enviada para Bruxelas, prevê um reforço orçamental de 15% nesta ajuda, em relação à dotação do POSEI em 2019”, referiu João Ponte.

Outro aspeto que tem merecido grande atenção do Governo Regional é garantir a genuinidade e a autenticidade dos vinhos certificados produzidos nos Açores, que é fundamental para assegurar a sustentabilidade do setor vitivinícola e deve mobilizar todos os agentes do setor. Além de reforçar os mecanismos de controlo da rotulagem das garrafas de vinho, João Ponte salientou que, recentemente, em colaboração com a CVR/Açores, foi implementada outra medida de grande importância, que passa pelo controlo nas adegas. Este controlo, que será feito aos 21 agentes económicos nos Açores que produzem vinho certificado, incide sobre a quantidade e a qualidade das uvas entregues nas adegas, por categoria, nomeadamente Denominação de Origem (DO), Identificação Geográfica (IG) ou outra.

Atualmente, existem na Região cerca de 1.000 hectares de área de vinha apta para a produção de vinho certificado, contando os Açores contam com três regiões demarcadas de produção de vinho, nomeadamente Pico, Graciosa e Terceira (Biscoitos). João Ponte admitiu ainda que a falta de mão de obra para a vinha possa ser um problema a médio/longo prazo, mas salientou que, se foi possível realizar todo o trabalho de reconversão das vinhas, nomeadamente no Pico, também será possível continuar a ter mão de obra, até porque é preciso que se olhe cada vez mais para a agricultura como uma atividade nobre e rentável.

Outro desafio que se coloca ao setor é o reforço da capacidade de transformação, tendo João Ponte revelado que têm existido contactos com potenciais investidores, mas ainda sem qualquer concretização, e que está a ser estudada a possibilidade de, no atual Quadro Comunitário de Apoio, abrir um aviso exclusivo, no âmbito do PRORURAL+, destinado a investimentos em unidades de transformação, esperando que esta medida possa funcionar como um incentivo para atrair potenciais investidores.

Fonte: GaCS/RM